A Casa Espírita e a Codificação deveriam estar sempre de mãos dadas. Inclusive esse é o discurso de grande parte dos Dirigentes Espíritas.
Mas, na prática, como anda essa parceria tão imprescindível? Propomos uma reflexão sobre o assunto, tão importante para termos certeza de estarmos executando a divulgação dos preceitos doutrinários de modo correto.
Vamos lá, então?
A campanha Comece pelo Começo e seu papel na coerência doutrinária
Lançada em 1972, pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, a campanha Comece pelo Começo teve início na capital paulista e, depois, foi abraçada por todo o movimento espírita estadual e nacional.
Pegando carona na enorme repercussão do programa Pinga Fogo, no ano anterior, quando o médium Francisco Cândido Xavier participou de entrevista na extinta TV Tupi. Até hoje, trata-se de uma das maiores audiências da TV brasileira, levando a mensagem espírita para milhões de pessoas em todo o país.
Seu objetivo foi, e é, disseminar as obras que fundamentam a Doutrina Espírita, todas elas resultado do trabalho do Codificador Allan Kardec. Em outras palavras, a campanha visa estimular as pessoas que desejam conhecer o Espiritismo a consultarem suas informações diretamente na fonte.
Afinal, os fundamentos doutrinários estão contidos nos livros publicados pelo professor francês e, juntos, eles compõem a base da doutrina, exigindo que a Casa Espírita e a Codificação estejam juntas!
Sendo assim, reforçamos: são cerca de 8 mil páginas, fruto do irreparável trabalho de Kardec, em consonância com a Espiritualidade Maior que coordenou a tarefa do plano espiritual. Cada um desses apontamentos deve ser estudado e refletido para o entendimento da mensagem espírita.
A Casa Espírita e a Codificação: discurso e prática
Quem frequenta as instituições espíritas e/ou mantém contato com Dirigentes Espíritas, certamente, ouve com frequência o nome de Allan Kardec e a citação às obras da Codificação Espírita.
Sejam nos grupos de estudo, sejam nas exposições ou mesmo em outras iniciativas doutrinárias, essa referência é constante e poderia significar uma total sinergia entre a Casa Espírita e a Codificação.
Contudo, infelizmente, nem sempre esse discurso é praticado. Como podemos observar isso? Analisando com mais profundidade as atividades da instituição, seus processos de trabalho, entre outros.
Por exemplo, práticas contrárias à Doutrina Espírita, independentemente do motivo de sua implementação, demonstram que a Casa Espírita e a Codificação estão em conflito.
Claro que a Diretoria tem total liberdade para conduzir a instituição do jeito que julgar melhor. Também é certo que a sociedade está em constante mudança, fruto da Lei do Progresso, e devemos nos adequar à transformação.
Mas, para evitar equívocos que coloquem em xeque o verdadeiro objetivo de todo Centro que segue o Espiritismo, essa liberdade deve se pautar sempre na base doutrinária. Ela é a bússola segura a nos orientar.
Dicas para garantir que a Casa Espírita e a Codificação estejam juntas
Muitas vezes, seguimos modelos já adotados em outros Centros. Ou, então, munidos de muita boa vontade, assumimos funções sem que estejamos preparados para desempenhá-las.
Isso é natural e pode ser um ponto de partida para o trabalho. Mas é preciso ir além, por isso reflita com as 3 dicas a seguir.
1. A Casa Espírita e a Codificação andam juntas quando conhecemos as bases doutrinárias
Como divulgar corretamente algo que não conhecemos? De que modo garantir que estaremos disseminando a mensagem espírita sem erros? Qual a forma de entender a Doutrina Espírita?
A resposta é uma só: estudando a Codificação Espírita continuamente. Afinal, o estudo não tem fim, já que cada vez que estudamos essas obras, descobrimos algo novo.
Assim sendo, estimular o estudo desse material é dever de toda instituição. Começando por seus tarefeiros, de todos os setores, e levando essa oportunidade ao público em geral.
2. Dê à Codificação o protagonismo que ela merece
Se a base do Espiritismo está nas obras kardequianas, elas devem ser a estrela.
Em outras palavras, o estudo deve ser feito diretamente nelas, em um ambiente de construção coletiva, onde todos tenham consciência de serem aprendizes.
A Casa Espírita e a Codificação pedem exposições com temas tirados de todas as obras. A ideia de que apenas alguns livros e assuntos devem ser explorados com o público não é correta.
Contudo, devemos estudar para a abordagem ser correta e para nos comunicarmos adequadamente com o público – garantindo que ele entenda o conceito a ser passado.
3. Avalie as atividades mediúnicas
A prática mediúnica deve ser feita conforme os preceitos espíritas. Isso inclui, estudo do Espiritismo no geral, incluindo a mediunidade. Também exige:
- Avaliação criteriosa de cada mensagem recebida – sem melindres e com vistas a melhorias;
- Atualização constante do conhecimento espírita e mediúnico;
- Consciência e responsabilidade para o exercício da tarefa, sabendo que médium é um trabalhador como os demais – nem melhor, nem pior;
- Prática privativa, isto é, apenas com a presença dos tarefeiros. Mesmo porque o auxílio ao público, como ensina a doutrina, é feito pelo pensamento, dispensando a presença física – exceções existem, mas são raras.
Esperamos que essas reflexões possam ajudar a aproximar ainda mais a Casa Espírita e a Codificação. Esse é um compromisso da USE Distrital Vila Maria, composta por Centros Espíritas localizados na Vila Maria e outros bairros da região norte de São Paulo.
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