O desencarne de Allan Kardec, o Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, aconteceu em uma manhã de primavera parisiense.

Segundo relatos, o cortejo fúnebre contou com muitas pessoas, entre elas sua esposa Amélie Boudet e amigos íntimos como Gabriel Delanne. Também renderam homenagens ao Grande Líder Espírita,  companheiros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, adeptos e simpatizantes do Espiritismo e pessoas que, mesmo não sendo espíritas, respeitavam e admiravam o grande homem Rivail.

O sepultamento contou com o pronunciamento de mais de um amigo. Contudo, o discurso de Camille Flammarion entrou para a história por unir a biografia ímpar do professor à emoção de quem teve o privilégio de conviver de modo próximo com o Codificador da Doutrina Espírita.

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Como se deu o desencarne de Allan Kardec?

Registros apontam o desencarne de Allan Kardec no dia 31 de março de 1869, entre 11 e 12 horas, em virtude do rompimento de um aneurisma cerebral. O Mestre Lionês tinha 65 anos, sendo os últimos 14 deles dedicados à pesquisa que fez surgir a Doutrina Espírita.

Com um exemplar da Revista Espírita de abril de 1869, aliás, a última editada por ele, sentiu um mal-estar e caiu ao chão.

Segundo consta, Gabriel Delanne foi o primeiro a correr e tentar reanimar o seu querido amigo, mas o Espírito já estava livre, retornando ao mundo espiritual.

Um discurso marca o desencarne de Allan Kardec

O sepultamento do Codificador ocorreu em 2 de abril, em um cerimônia simples, conforme desejo do Professor – respeitado por sua amada viúva, Gabi.

Diante de um grande público, amigos se revezaram em discursos para homenagear o grande homem que dedicou sua vida à educação formal e à educação do Espírito.

No entanto, entre tantas homenagens sinceras, uma se destacou: o discurso do astrônomo e integrantes da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Camille Flammarion – médium que colaborou ativamente para as mensagens da obra A Gênese.

A íntegra desse belo discurso está nas páginas de Obras Póstumas, coletânea de mensagens, publicadas após o desencarne de Allan Kardec.

Na sequência, vamos destacar algumas partes desse texto.

O bom senso encarnado

Uma das qualificações mais usadas quando nos referimos ao homem que codificou o Espiritismo, é lembrar que ele foi o bom senso encarnado.

Pois ela surgiu nesse discurso de Flammarion, nas homenagens ao desencarne de Allan Kardec, quando enalteceu a existência útil e digna do professor, sempre pautada nos ensinamentos Divinos, bem como sua contribuição inigualável no campo da filosofia.

Segundo ele, Rivail ofereceu explicações racionais para acontecimentos, antes, tidos como sobrenaturais. Observe trecho:

Ele era o que eu denominarei simplesmente o bom senso encarnado. Razão reta e judiciosa, aplicava sem cessar à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum. Não era essa uma qualidade somenos, na ordem das coisas com que nos ocupamos. Era, ao contrário, pode-se afirmá-lo, a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual, a obra não teria podido tornar-se popular, nem lançar pelo mundo suas raízes imensas.”

No desencarne de Allan Kardec, a imortalidade da alma é enaltecida 

Os Espíritas presentes no sepultamento tinham convicção de que se despediam do corpo físico, no entanto, o Espírito se mantinha intacto, dando continuidade à sua evolução no plano espiritual.

Portanto, a imortalidade da alma, dos princípios básicos da Revelação Espírita, foi destaque no discurso do astrônomo. Confira no final do discurso que marcou a cerimônia de despedida, no desencarne de Allan Kardec:

Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor, e no céu imenso, onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado.”

Até à vista, meu caro Allan Kardec. Até à vista!

A USE Distrital Vila Maria, com este texto, presta sua singela homenagem à data que marca o desencarne de Allan Kardec. Para saber mais sobre a vida desse grande missionário e sobre a Doutrina Espírita, acompanhe os conteúdos exclusivos de nosso Blog, entre eles, sugerimos:

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