A mediunidade é um dos temas que despertam maior interesse dentro da Doutrina Espírita. Era, também, assunto de grande interesse de Allan Kardec que conduzia reuniões mediúnicas onde realizava pesquisas que originaram a Codificação Espírita.

Como será que o Codificador encarava as reuniões mediúnicas? Vamos descobrir!

Diferentes formas de comunicação mediúnica

A Revista Espírita, editada por Allan Kardec, entre janeiro de 1858 e abril de 1869, é um material rico de informações sobre o Espiritismo.  Na edição de Janeiro de 1858, no artigo “Diferentes formas de manifestações”, o professor francês  mostra a forma como enxerga a mediunidade. Vamos acompanhar o artigo:

“Os Espíritos atestam sua presença de várias maneiras, conforme sua aptidão, vontade e maior ou menor elevação.  Todos os fenômenos de que teremos ocasião de tratar ligam-se, naturalmente, a um ou outro desses modos de  comunicação. Para facilitar a compreensão dos fatos julgamos, pois, um dever, abrir a série de nossos artigos com um quadro das diversas formas de manifestações. Podem ser assim resumidas:

1.º) Ação oculta: quando nada tem de ostensivo. Tais são, por exemplo, as inspirações (…).
2.º) Manifestações físicas ou materiais: são as que se traduzem por fenômenos sensíveis, tais como ruídos (…).
3.º) Manifestações inteligentes: quando revelam um pensamento. (…)

A natureza dessas comunicações varia segundo a elevação ou a inferioridade, o saber ou a ignorância do Espírito que se manifesta e conforme a natureza do assunto de que se trata. Podem ser frívolas, grosseiras, sérias ou instrutivas.
As comunicações frívolas procedem de Espíritos levianos, zombeteiros e travessos, mais malandros que maus, e que nenhuma importância ligam ao que dizem.

As comunicações grosseiras traduzem-se por expressões que chocam o decoro. Procedem de Espíritos inferiores ou que ainda não se despojaram de todas as impurezas da matéria.

As comunicações sérias são graves quanto ao assunto e à maneira por que são feitas. A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna e isenta de trivialidade . Toda comunicação que exclui a frivolidade e a grosseria e que tem um fim útil, mesmo de interesse particular, é por isso mesmo séria.

São as comunicações sérias cujo principal objetivo é um ensinamento qualquer, dado pelo Espírito sobre as
Ciências, a Moral, a Filosofia, etc.

São mais ou menos profundas e mais ou menos verdadeiras, conforme o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito. Para tirar proveito real destas comunicações, devem elas ser regulares e seguidas com perseverança.”

A comunicação mediúnica na visão de Allan Kardec

É interessante notar que o Codificador afirma que as comunicações têm como objetivo a “de ideias” entre encarnados e desencarnados.

Era isso que ele fazia: trocava ideias. Perguntava, ouvia as respostas, avaliava, fazia mais perguntas e assim sucessivamente, até estar satisfeito com as informações recebidas.

A postura do dirigente da reunião não era passiva. Pelo contrário, o autor das obras fundamentais do Espiriritismo, ia para o trabalho sabendo o que perguntaria, como perguntaria e, depois, fazia uma rigorosa análise. Se a resposta não fosse satisfatória, não tinha dúvidas: continuava a inquerir os desencarnados até obter as informações pertinentes.

Todo Espírito era bem vindo à reunião, todos eram ouvidos com respeito e afeto, mas nada do que falassem era aceito sem a necessária avaliação.

Esse cuidado foi essencial para a qualidade dos livros que compõem a base doutrinária e precisa servir de exemplo para nossa atuação nas atividades mediúnicas da Casa Espírita.

Somente assim poderemos ter certeza de que “separaremos o joio do trigo”.

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